Viva o São João (e o flerte das grandes marcas com o Nordeste)!

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Pensar global e agir local nunca fez tanto sentido. A fim de se conectarem de forma genuína com a audiência
e o consumidor do Nordeste, muitas marcas nacionais e globais aproveitam o calendário alusivo dos eventos
regionais para aproximar-se de um mercado que responde por quase 20% do consumo do Brasil, hoje, com
destaque para o nosso Ceará, que avançou 5,5% no último ano. A região cresce acima da média nacional e
ocupa o segundo lugar no ranking de consumo no país, atrás apenas do Sudeste. Esse cenário aponta um
caminho para onde os negócios devem mirar, mas fica a pergunta: Quais são as marcas que, de fato,
conseguem genuinamente comunicar-se com o Nordeste?


Não quero, com isso, dizer que ser local geograficamente é garantia de engajamento. É preciso mais. Mas tal
qual ocorre num país continental como o Brasil, olhar o Nordeste requer muitas lupas, compreendendo que
há muitos “nordestes” a serem descortinados dentro dos nove estados – vivência prática de uma curiosa de
plantão, apaixonada pelos movimentos do mercado e que já trabalhou marcas líderes e brands Nordeste
afora.


E é com base nessas andanças que compartilho aqui com vocês algumas crenças que talvez possam auxiliar
aos colegas com a missão de buscar uma fatia desse bolo chamado Nordeste


Seja genuíno: Não adianta tentar surfar como se fosse só mais uma onda. Não encare como trend. Não entre
porque tem de seguir um calendário, a questão aqui é sobre essência, proposta de valor e posicionamento. Se
não for real, não se sustenta. Ocorreu com quem tentou atrair os nichos do pink money e silver money, por
exemplo, e deu com os burros n’água, no bom “cearês”.


Abrace a cultura: Cultura não se muda, se abraça. O senso de pertencimento e engajamento virá daquela
sensação de conexão imediata, tal qual ocorre quando encontramos um amigo de quem gostamos.
Compreender se a marca tem fit ou não com os valores locais, se o portfólio conversa ou não com as
demandas reais daquele público ou se é engessado, para então atuar a partir desse match, é um bom passo
para iniciar o namoro com os mercados locais.


Valorize o localismo: Dar oportunidade para quem já produz na região é uma atitude muito bem recebida
pelo consumidor local, sobretudo atualmente, quando nunca se falou tanto nos pilares ESG. Dos insumos à
mão de obra, dos patrocínios e apoios aos eventos locais às causas a serem abraçadas, faça o exercício de
encontrar e priorizar essas escolhas dentro da cadeia de valor do seu negócio.


Fomente o senso de comunidade: Marcas como São Geraldo, Maranguape, Granja Regina, Pardal,
Catarina Mina, dentre tantas outras que temos o orgulho de chamar de “nossas”, entregam muito mais que
um produto gostoso, bonito ou acessível, entregam orgulho e conexão. Fomentam o coletivo e o senso de
pertencimento, capazes de engajar como nenhuma outra ferramenta.


Encontre um parceiro local: Difícil chegar de fora e fazer verão sozinho. Cada cidade, cada rua tem a sua
especificidade, seus códigos, seus sotaques e lembro aqui de dois exemplos locais que bem exemplificam a
dica acima. Um tempo atrás vi um VT de uma marca de varejo nacional em que o locutor convidava para a
inauguração de uma loja no bairro de Messejana e este dizia: “Venha conhecer a nova loja em
Messejana”. Errado não estava, mas quem é da área sabe que um local falaria mesmo era “na Messejana”, e
esse detalhe faz toda a diferença no convite para a ação. Escutei também da Dona Joselma, fundadora da
Pardal, que na sua estratégia de expansão estava o Cariri, mas que tentava entrar naquele mercado e não
conseguia. Até o dia em que propôs à marca São Geraldo uma parceria e que, daquela fase em diante, foi
muito bem acolhida pelo consumidor do Sul do nosso Ceará.


Atuar localmente pressupõe que as marcas trabalhem com senso de coletividade, consciência e intenção. É
sobre o impacto positivo que uma marca gera no mercado em que atua. Vamos juntos, enxergando e
abraçando as mil possibilidades que o mercado nos oferece todos os dias.


Leia mais em:
https://nossomeio.com.br/coluna/marketar/viva-o-sao-joao-e-o-flerte-das-grandes-marcas-com-o-nordeste/